A reação necessária
Tenho tentado dedicar os posts de segunda do blog à política. Nesta área o grande assunto ainda é o ataque do PCC e o debate das formas de reagir e evitar que coisas similares voltem a ocorrer. Assim com grande satisfação li os dois artigos na sessão Tendências e Debates da Folha de São Paulo, que com grande clareza e coragem destacavam a importância de medidas duras e do apoio da sociedade às polícias, justamente os pontos que considero como eixos principais da reação necessária.
Os artigos em questão são “Não é hora de prejulgar a polícia” de Eduardo Capobianco e “O Crime Organizado” de IVES GANDRA DA SILVA MARTINS, os quais recomendo a leitura a todos que querem informar-se sobre as reflexões sérias sobre o assunto, equidistantes tanto da histeria quanto daquele tipo de discurso fantasioso politicamente correto que, a meu ver, é um dos grandes responsáveis por esta crise.
Por sinal penso que uma das poucas coisas que surgiu de bom desta crise toda foi o desgaste deste tipo de discurso que em nome da defesa da democracia a deixa cada vez mais desarmada e incapaz de reagir às ameaças ao Estado de Direito. Antes da segunda-feira negra passada qualquer um que falasse sobre a necessidade de medidas duras contra o crime organizado acabava sendo tachado de fascista, direitista, defensor das piores coisas, em particular nestas comunidades e listas de discussão no qual certas correntes de ultra-esquerda impõem sua ditadura como se estivessem em algum dos regimes ditatoriais e autoritários que admiram. Hoje já é possível às pessoas de esquerda e centro debater estas questões porque a patrulha ficou desmoralizada.
Em termos de propostas concretas os dois artigos mencionados são pródigos. Algumas questões são emergenciais, ainda que como exigem legislação específica precisarão de tempo até serem implementadas de fato. A principal delas é a criminalização da posse de celular em presídios, a qual não só dá uma ferramenta para punir o abuso como ainda permitirá prender também advogados e familiares que servem de veículos para estes aparelhos, coisa que não ocorre hoje. Aumentar o risco que correm estes mensageiros do crime pode até não ser suficiente para eliminar o risco de celulares e comunicação, mas certamente desencorajará muitas pessoas se houver um processo de fiscalização mais rigoroso.
Com o tempo espero que se caminhe para que não haja contato físico entre visitantes e presos, como ocorre nos lugares civilizados sem criar grita de ninguém. Também mais do que necessária é a extinção de um conceito absurdo que permeia nossa legislação segundo a qual o preso tem o direito de fugir, não sendo punível por tentativas de fuga ou rebeliões. Que tal determinação esteja presente nos códigos de guerra até é aceitável, visto ser um dever do soldado, mas que seja aplicado pro extensão aos criminosos comuns é mais do que um disparate.
O outro artigo também destaca a importância fundamental da sociedade dar todo apoio à polícia, a qual afinal de contas está no front desta batalha entre o Estado de Direito e a bárbarie, portanto precisa e deve sentir que a sociedade civil que está na sua retaguarda se mantém como um firme suporte às suas ações. Este processo é essencial para que se consiga reverter o imenso trabalho feito para desmoralizar a polícia ao longo dos últimos anos, em geral pelas mesmas pessoas que defendiam direitos de criminosos.
Não deixa d ser curioso e sintomático que fatos isolados tenham sido sistematicamente utilizados por muitos para desacreditar a polícia, em especial desde o caso da Favela Naval, mas as mesmas pessoas fazem questão de dizer que os ataques do PCC são um caso isolado e não podem ser utilizados para julgar todos os criminosos. Como sempre, a tática dos dois pesos e duas medidas para julgar conforme as conveniências e a rotulação de fascista para qualquer um que aponte o absurdo do julgamento. Também não se deve ignorar todos aqueles que esforçam-se para desmoralizar a polícia para poder alimentar ainda mais a indústria da segurança privada, entre os quais há por sinal muitos dos comentaristas, críticos e especialistas que deram entrevistas nestes dias.
Como disse Cesar maia em seu blog na sexta-feira, os bandidos tem de ter medo da polícia e não o contrário. E que isto ocorra não é interesse apenas daqueles que arriscam a vida para nos proteger, mas de toda a sociedade que é protegida.
