IA na Patologia: Incertezas Epistemológicas e Ontológicas na Era da Digitalização
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1. Referência Completa (formato ABNT + DOI)
CARBONI, CHIARA; WEHRENS, RIK; VAN DER VEEN, ROMKE; DE BONT, ANTOINETTE. Eye for an AI: more-than-seeing, fauxtomation, and the enactment of uncertain data in digital pathology. Social Studies of Science, v. 53, p. 712–737, 2023. DOI: 10.1177/03063127231167589
2. Tema Central
O artigo investiga as consequências epistemológicas, éticas e ontológicas da automação e digitalização na patologia acadêmica, especialmente no uso de IA para diagnósticos complexos. Utiliza a teoria da realidade agencial de Barad para analisar como narrativas sobre IA transformam processos de trabalho, práticas organizacionais e a formação de objetos epistêmicos.
3. Problema de Pesquisa
Como as mudanças materiais e discursivas associadas à IA afetam: processos de trabalho dos patologistas, práticas organizacionais, surgimento de objetos epistêmicos e responsabilidade sobre esses conhecimentos?
4. Hipóteses ou Questões Norteadoras
1. Como a automação altera os processos de trabalho dos patologistas?
2. Que tipos de incertezas essas mudanças geram?
3. Como a realidade agencial ajuda a analisar os impactos epistemológicos, éticos e ontológicos?
5. Metodologia
Combina etnografia com observações participantes, entrevistas e análise documental em um departamento de patologia acadêmica. Usa a realidade agencial como estrutura analítica para examinar três tipos de incerteza:
- Sensorial: Dificuldades de interpretação devido à ontologia própria dos slides digitais
- Intra-ativa: Conflitos de responsabilidade na produção automatizada de dados
- Fauxtomada: Riscos de diagnósticos equivocados por automação superficial
6. Desenvolvimento das Hipóteses
As hipóteses foram construídas para investigar:
- Como discursos sobre IA alteram práticas diagnósticas mesmo sem implementação efetiva
- Como narrativas de automação reconfiguram práticas organizacionais e objetos epistêmicos
- Capacidade da realidade agencial em analisar simultaneamente impactos epistemológicos, éticos e organizacionais
7. Resultados
Identificou três tipos de incerteza na prática diagnóstica digitalizada:
- Dificuldades sensoriais na leitura de slides digitais
- Conflitos de responsabilidade no processo automatizado
- Riscos diagnósticos de automações mal implementadas
8. Avaliação Metodológica
Pontos fortes:
- Abordagem etnográfica detalhada
- Conexão teórica consistente com realidade agencial
Limitações:
- Estudo de caso único
- Amostra limitada de profissionais
- Foco exclusivo em análise visual
9. Teorias e Conceitos Fundamentais
Estrutura teórica baseada em:
- Realidade agencial (Barad, 2007)
- Objetos epistêmicos
- Processos de materialização do conhecimento
10. Conclusões do Artigo
A digitalização na patologia gera:
- Novas formas de incerteza diagnóstica
- Transformações nas práticas profissionais
- Desafios na atribuição de responsabilidade
11. Conclusão Crítica Pessoal
Contribuição relevante para:
- Estudos sobre impacto da IA na medicina
- Epistemologia da ciência digital
Sugestão de aprimoramento:
- Maior diálogo com abordagens fenomenológicas
- Expansão da base empírica
